domingo, 4 de julho de 2010

Passam os anos


Com o passar dos anos
Ganhamos e perdemos,
Diria que trocamos:
Trocamos juventude,
E recebemos experiência,
Perdemos cabelos,
Ganhamos paciência,
Entregamos um pouco de audição
Mas ganhamos muito em razão,
Talvez um pouco de energia,
Em troca de simpatia...
Às vezes a visão nos desampara
Mas nos sobram rugas na cara,
Por fora ficamos deploráveis,
Velhos, porém amáveis,
Donos de espíritos indomáveis,
Que aos mais jovens parecerá teimosia,
Uma segunda adolescência, uma senil rebeldia,
Esse é o milagre da vida, que começa e termina a cada santo dia!

VONTADE DE VIVER


"Nascemos independente da nossa vontade. Mas a vida é um encanto. E nos encanta"

Os primeiros risos, as primeiras flores, os primeiros amanheceres, os primeiros anos… as primeiras descobertas. Vamos desbravando a vida e enfrentando o desconhecido maravilhados.

Então vêm os primeiros nãos. As primeiras quedas, as primeiras decepções, as primeiras lágrimas que não nos impedem, nem por isso, de ir em frente.

Mas um dia o desconhecido, o inexplicável, pode tirar nossa vontade de viver. As perdas, as grandes, aquelas sem volta que, por mais alto e forte que gritemos, fazem-se de surdas. E a vida perde seu sentido…

Os amanheceres e entardeceres tornam-se uma e a mesma coisa: enfado. Nos recusamos a ver a luz do dia, o sol que brilha, a vida que palpita, os pássaros que cantam e as flores que, teimosas, continuam se abrindo em total indiferença à nossa dor.

E é preciso, nesse momento onde queremos parar mas que a vida não pára, é preciso reaprender a viver.

Não aceitamos nossas perdas irreparáveis e absurdas, mas precisamos aprender a viver com elas e apesar delas. E ver a vida com outros olhos. Talvez, reconhecer de vez nossa pequenez diante do desconhecido. E reviver. A pequenos passos, tímidos, lentos, tal qual criança que ainda não viu nada, mas com a sabedoria dos velhos que já sabem que a vida é um poço de mistérios.

E vamos assim, não importa nossa idade, desbravando novamente a vida. Vamos sorrir novamente. Ver a luz do dia, olhar nos olhos dos que ficaram e que estiveram do nosso lado mesmo quando estivemos temporariamente cegos a tudo o mais. Ver as flores, que nunca desistiram de viver e experimentar o dia-a-dia, novos gostos dessa nova vida que se oferece a nós.

Tudo pode ter um fim. Mas todo fim pode ser o início de um recomeço. E a vida continua linda. E Deus sabe do que precisamos para nos pôr de pé e Ele nos guia, se nos abandonamos a Ele nessa nova chance de recomeçar.

Letícia Thompson

QUE AS LÁGRIMAS NÃO NOS IMPEÇAM DE LEMBRAR…


Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar que uma pessoa que chega na nossa vida é um presente que nos foi oferto.

Há presentes assim valiosos que não duram muito, quando nossos corações desejariam que durassem eternamente e ignoramos por que eles se vão quando a vida parece apenas começar.

Mas se nos perdemos nesse mundo de questões sem respostas, a dor será muito maior que as lembranças de tudo o que a vida nos permitiu juntos enquanto durou a caminhada na terra.

O vento passa, mas nos refresca; a chuva vem e vai, mas sacia a terra. O importante mesmo não é a quantidade de tempo que as coisas ou pessoas duram, mas a riqueza que elas trazem à nossa alma, o amor que nos permitimos dar e o que aceitamos receber.

As dores das partidas definifivas são indizíveis, indefiníveis, mas que elas nunca nos impeçam de nos lembrar da vida compartilhada.

Que as lágrimas não nos impeçam de sorrir novamente um dia quando a dor for mais amena e as lembranças felizes começarem a voltar, como as flores no jardim a cada primavera.

A eternidade existe para que esperemos por ela, para que tenhamos o consolo de saber que um dia, se o Deus-Pai permitir, Ele que nos ama de amor infinito, poderemos novamente nos encontrar.

Letícia Thompson
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